A ótica de Chico Mazzoni

Mas esta mostra, tem uma produção elaborada, uma preocupação cuidadosa com a imagem, onde o artista passeia pelas suas formas de linguagem preferidas, indo buscá-las do jeito que êle gosta: distanciadas, longínquas, despojadas de qualquer emoção intrínseca, provocando a emoção de vê-las. É assim que as figuras viram imagens nos seus quadros, como personagens de alguma cena efêmera captada por um olhar.

Um olhar atento que transporta a bailarina, o ciclista, artistas circences, flashes da dança, do cinema e do esporte, para o universo do público. Pois, para êle, o trabalho da imagem não necessita de uma emoção em si, precisa ser explícita. “Minhas figuras são personagens bem teatrais, daí Cena. Ao mesmo tempo, sou fascinado pela luz, por isso Ótica – Cena & Ótica”, explica. Pois o fenômeno ótico é outra paixão de Chico Mazzoni.

Brincar os efeitos do ilusionismo, compor ou desagregar imagens usando todos os elementos: o ponto ( pontilhismo ), linhas, cores que se interpenetram, chapas de cores, texturas, num costurar sem fim destes pedaços de luz, que vão depois se somar na retina do espectador.

A ótica dá sentido à cena, que, por sua vez, sugere a forma de olhá-la. Pode-se imaginar a preocupação do artista com a imagem: “Procuro uma linguagem para elaborar esta imagem”, esclarece. Cena & Ótica, portanto, é a procura de uma linguagem que Chico Mazzoni prefere não classificar, ao contrário, êle se ajusta ao seu tempo e está ligado no que for contemporâneo.

Afinal, na geléia geral em que vivemos, Chico Mazzoni, em sintonia com o que está acontecendo no mundo, seleciona aquilo que mais o identifica. Seu trabalho lembra um pouco a arte pop, embora possua características bem diferenciadas. Mas percebe-se algo do comics ( quadrinhos ), existem algumas obras em série, tendências estas, quem sabe, originárias do incosciente coletivo. Daí a exposição parecer um fotograma; a intenção é passar flashes de circunstâncias, afastando-se por completo da possibilidade do seu trabalho possuir um caráter regional. “O artista baiano pode ter a cor forte com a luz que está aí, mas tem a preocupação com o universal”, afirma Mazzoni.

Leila Rizério • Jornal A TARDE, 5/12/1998

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