Arte de Cor

Fazendo um contraponto entre cores chapadas e fortes utilizadas como fundo das suas pinturas, Chico coloca figuras cheias de volumes, contornos bem delineados e insinua movimentos. Para quem começou desenhando quase que apenas com o preto e o branco, a cor agora, é um desafio deslumbrante. Diz o artista: “A exposição é muito em cima da cor, ela é neste momento, uma coisa muito forte para mim, mais do que a figura. Estou usando a cor da forma como ela sai do tubo, sem mistura”. A figura, já é velha conhecida para o artista, realmente a cor é que é para êle a grande novidade, talvez daí o uso tão intensivo.

Mas, mesmo sendo a figura sua velha conhecida, Mazzoni não se limita apenas a repetí-la, êle vai dar-lhe movimento, trabalha com ela em certos momentos dando-lhe um tratamento bastante realista e por outras vezes, sacrifica o realismo em benefício de uma maior expressão. É certo que nos trabalhos recentes, o pintor, deixa claro que o desenho lhe serviu bastante como exercício e que mesmo fascinado pela cor, êle permanece, de uma forma muito óbvia, ligado ao desenho. Existem momentos em que aparecem na pintura coisas bem específicas de um desenhista.

Não existe no trabalho de Chico uma intenção deliberada de passar mensagens, fazer literatura ou criar polêmica. O importante é o ato de pintar, de conseguir uma plasticidade. Pode parecer uma coisa muito simples, mas não é. A boa arte fala por si. Imagino que Chico esteja neste caminho. A exposição tem como título Arte de Cor exatamente para marcar a intenção do artista. Vale a pena dar uma conferida.

Justino Marinho

Jornal CORREIO DA BAHIA, 21/09/1985

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