For this Light

E Chico Mazzoni olhou a tela e disse: fiat lux. E a luz se fez. E a luz se espalhou em prismas, lusco-fusco, solstício, lumière. De quadro em quadro, o aceleramento da tensão entre luminosidade e trevas, reflexos e perplexidade. Comer luz. Usar luz para entrar em cavernas, espiar por fechaduras, paralizar cenas, pratear escamas. Chico Mazzoni conduz pincéis como lanternas que pipocam aqui e ali: no instante seguinte pode não haver mais luz. Sobre trabalhos produzidos em cores dominantes, a ausência de traços revela formas, iluminações, reentrâncias, sexos, chuvas, murmúrios, animais ao luar. Facho, archote, luzeiro. E olha ali o olho que brilha, a nuca que intriga, o corpo que reluz. Telas pra que te quero: auréola, rabo de fogueira, estação da luz. Chico Mazzoni Saúda os astros e pede passagem. O último a sair que apague o farol.
Eduardo Logullo

Classificado como moderno, Chico Mazzoni condensa nessa exposição seus temas preferidos: as figuras humanas e animais, “que continuam sendo meros pretextos para o estudo das possibilidades de reflexão da luz sobre seus suportes materiais”. Só que, dessa vez, o pintor traz uma diferença na sua obra, fruto de uma pesquisa ainda mais radical. Isso significa que as cores e as formas nos seus quadros estão mais contidas, para dar lugar à riqueza das texturas. Ou seja, o ponto fica mais importante que o traço e a superfície plana de cores fortes – o que diferencia de suas fases anteriores.

Em resumo, a tendência do trabalho de Mazzoni agora é bem mais impressionista, levando-se em conta que seus quadros perderam um pouco sua hierarquia – a figura e fundo têm o mesmo peso. “Tudo isso para traduzir a procura da síntese da luz, como se ela pudesse ser capturada num retângulo de tecido.

Jornal Correio da Bahia

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