Par ou Impar

O talento artístico de Chico Mazzoni é que responde esta questão deliciosamente elaborada para dar à plástica de sua oitava exposição individual o charme criativo do trabalho com o duplo. O jogo ambivalente, que até então vinha se revelando tímidamente, ressurge nesta exposição já como força de uma tendência clara, com o dom de impressionar.

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Ainda que não desperte a possibilidade de existir isoladamente, o trabalho de Chico Mazzoni desta vez surpreende com domínio da complementariedade, apresentando combinações como se fossem casais de quadros. Quando o artista sugere os quadros ímpares, àqueles jogos pares, nutre magicamente a intenção maior, como se fosse o universo em questão desta intrigante ode às contradições. Os ímpares, que aparecem sem complementares, são, na verdade, o complemento dos pares.

É em toda essa disposição naturalmente ying e yang de pares e ímpares, como as próprias antíteses da existência, que Mazzoni coloca seus personagens.

A figura humana, seu tema favorito, volta, sempre bela, à cena de sua criação, absolutamente comprometida com sua contemporaneidade.

O artista lhes dá o trabalho atual, preocupado com a afirmação de sua linguagem.

Assim nascem os cavalos de sempre e outros de seus animais prediletos, como os tigres e as onças, além dos gatos, a novidade da série”

César Romero e Justino Marinho • Jornal CORREIO DA BAHIA, 24/10/1990

As mostras do Verão

Os desenhos que Chico Mazzoni expôs no ICBA nos dão a medida da sensibilidade do artista ao pegar imagens comuns que a mídia oferece e armar com elas um jogo inteligente, estabelecendo uma relação irresistível entre o singelo e o sofisticado. No seu “Par ou Ímpar?” Mazzoni contrapõe com exatidão o positivo e o negativo nas imagens duplas, refletidas como nas cartas do baralho ou colocadas lado a lado, invertendo as cores de uma para outra, numa trama gráfica atraente em que não há diminuição de concentração entre figura e fundo. Embora o jogo se repita, as soluções sempre nos surpreendem, podendo vir numa mistura deco de curvas e retas,num atrevido op em diagonal ou em formas quase sígnicas para reforçar o motivo central, mantendo em todos o mesmo refinamento ”

Matilde Matos (ABCA e AICA) • Jornal A TARDE, 1o/12/1990

“Uma boa indicação do Instituto Goethe de salvador ao escolher o intrigante trabalho de Chico Mazzoni para a reinauguração de sua galeria de arte, que já foi uma das mais importantes de Salvador. Nessa amostra, o que chama a atenção é a combinação entre as peças, ou mais tecnicamente a complementariedade, como se fossem casais de quadros, embora tenham sido pintados isoladamente. São desenhos e pinturas sobre papelão, com temas variados, num estilo voltado para os ambientes sob penumbra – como em Banho Lilás, um belíssimo trabalho em que a água jorra do chuveiro e se transforma em jato de luz, ressaltando uma mulher nua. Mas o mais belo é o Faces da Lua, o escolhido para ilustrar o convite, que mostra perfis à la Cleópatra que se complementam dentro de um círculo.”

Revista VEJA BAHIA, 1/11/1990

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